Caracterização da Freguesia de Loures

CARACTERIZAÇÃO DA FREGUESIA DE LOURES A Freguesia de Loures está geograficamente localizada, relativamente ao conjunto concelhio, numa zona central e intermédia, separando, a norte, um grupo de Freguesias com características rurais de um outro, a sul, com maior expressão económica no sector terciário, particularmente na área dos serviços, pequena indústria e comércio a retalho.

 

Este facto, associado ao forte crescimento demográfico e económico registado na ainda jovem cidade de Loures, vem determinar uma fisionomia de transição que aglomera traços de uma actividade tradicional agrícola com os indícios, mais recentes, de uma acelerada tercialização, a que não se poderá dissociar o facto de nesta freguesia estar localizada a sede administrativa-jurídica do concelho.
Importante será referir ainda, nesta resumida caracterização, as óptimas condições geológicas e climáticas que, de forma comprovada, muito favorecem as práticas agrícolas. É de acordo com essas condições (que aliadas à tradição do cultivo vieram a identificar popularmente estas terras como as hortas de Lisboa) que se estima a continuação do melhor aproveitamento das terras agrícolas da Várzea de Loures e áreas conexas.

Perseguindo o interesse lúdico dos tradicionais passeios à região saloia, a criação de uma zona turística de recreio e lazer, que abrange grande parte da freguesia de Loures, aproveitando os belos enquadramentos paisagísticos, vem trazer o realce e a valorização dos centros históricos de interesse patrimonial e cultural e o eventual reaproveitamento turístico de edifícios de grande beleza como é o caso do Palácio do Correio-Mor.

Actualmente a freguesia de Loures faz fronteira com as freguesias de Stº António dos Cavaleiros, Caneças, Frielas, Stº Antão do Tojal e Lousa, e com os concelhos de Odivelas, Sintra e Mafra.

A história da povoação de Loures regista, sumariamente, três grandes momentos: a passagem a sede de freguesia durante o século XIII, a eleição a sede concelhia em 26 de Julho de 1886 e a elevação a cidade no dia 09 de Agosto de 1990.

 

Sobre a sua origem, alguns estudos, baseados em vestígios arqueológicos, apontam para a existência de uma civilização castreja em vários outeiros da região. Outros, porém, atribuem o seu aparecimento aos movimentos demográficos provocados pela ocupação romana. No entanto, pelo menos num dado histórico parece não haver dúvidas: a luta travada por D. Sancho I, segundo rei de Portugal, em 1178, contra alguns mouros aqui estabelecidos. Esta campanha fê-la o rei com a ajuda dos Templários e, em forma de agradecimento pelos serviços prestados, veio a entregar-lhes terras que viriam a pertencer mais tarde, e por proposta do Rei D. Dinis, à Ordem de Cristo. Está exactamente relacionada com o mosteiro da Ordem dos Templários a formação do núcleo urbano de Loures que, constituído, inicialmente, junto àquele, viria, mais tarde a deslocar-se para a encosta das Alvogas. Esta evolução da mancha urbana estará relacionada por um lado com a aproximação à via fluvial, e por outro, com os problemas das cheias que desde sempre assolaram aquela zona baixa onde viria a nascer a actual Igreja Matriz. Do núcleo mais antigo restam ainda algumas edificações que, ao abrigo de um regulamento para a defesa do património, já se encontram protegidas de eventuais e irremediáveis transformações arquitectónicas.

 

No âmbito do património cultural construído, a cidade possui hoje peças de inegável interesse, de entre as quais se destacam:

  • Existente desde a Idade Média, a Igreja Matriz de Loures foi reconstruída em 1781 mas manteve uma estrutura característica da segunda metade do séc. XVI e uma pintura seiscentista, do orago, no tecto de berço da nave central. Já os arcos divisórios das naves apoiam-se em colunas toscadas com pinturas decorativas do séc. XVII e a capela-mor tem um retábulo do séc. XVIII abrilhanta esta obra-prima do barroco português. Na segunda metade do século XVIII, com bastantes intervenções posteriores (a torre sineira data dos anos finais da Dinastia Filipina e o actual recheio é, na sua larga maioria, datável do século XVIII), após o terramoto de 1755, foi votada ao abandono, mas no século seguinte foi sujeita a obras de restauro, tendo sido declarada monumento nacional por decreto de 16 de Junho de 1910. Esta igreja localiza-se no extremo da cidade de Loures, no Distrito de Lisboa, em Portugal.
  • Construído no séc. XVIII, o nome deste palácio deve-se ao facto de ter pertencido a Luís Gomes da Mata, Correio-Mor no tempo de Filipe II. A autoria é, provavelmente, do italiano António Canevari (um dos arquitectos do Convento de Mafra), que concebeu uma fachada em U, cercada por um muro alto com porta brasonada que dá acesso ao pátio. No interior encontramos uma sucessão de magníficas salas onde se destacam os azulejos e os tectos em estuque com pinturas de José da Costa Negreiros, enquanto a escadaria de acesso ao andar nobre apresenta uma bela fonte setecentista. Nos jardins salientam-se as cascatas e os azulejos com cenas mitológicas. (Imóvel de Interesse Público).
  • JFLApre03Casa do Adro que faz parte do património municipal, pertenceu a um ministro de D. João VI e foi construída no séc.XVII. A entrada principal é composta por um pátio onde se encontra uma nora e uma pedra tumular com a cruz da Ordem dos Templários. Neste momento, estão instalados, no edifício, o Museu Municipal, com quatro salas em permanente funcionamento, uma biblioteca especializada em assuntos municipais e os serviços culturais, de juventude e desporto da autarquia.

 

 

A profusão neste local de antigos solares e casas senhoriais, transformadas em modernas quintas ou casas de campo, é testemunha das óptimas condições atmosféricas e aprazíveis paisagens que o tornaram, no século XIX, lugar de eleição para os passeios de charrete e zona de veraneio por excelência.

Nos nossos dias, a população residente na freguesia de Loures tem à sua disposição um conjunto de equipamentos que lhe permitem uma ocupação saudável dos tempos livres quer através das diversas modalidades culturais e filantrópicas desenvolvidas pelas colectividades, quer pelas actividades desportivas, importem elas a prática ou tão simplesmente o prazer da participação espectar.